Paraná é destaque em revista internacional por liderança na vigilância de superbactérias
Estudo publicado na Frontiers in Public Health reconhece o Laboratório Central do Estado (Lacen-PR) como pioneiro na validação do sistema
O Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR) se consolidou como referência global no combate à resistência antimicrobiana (AMR). Um artigo científico publicado em 15 de janeiro de 2026 na revista Frontiers in Public Health, com sede na Suíça, destaca o Paraná como o Estado que validou o modelo de vigilância hoje adotado em todo o Brasil.
O impacto da publicação foi imediato: em apenas 12 dias, o estudo já registrou acessos de pesquisadores nas Américas, na Europa, na África e na Ásia. O artigo de revisão detalha o panorama das estratégias brasileiras na gestão do diagnóstico e do uso de antimicrobianos, evidenciando o papel central do Paraná na condução de diversas iniciativas nacionais.
O estudo é de autoria do pesquisador Marcelo Pillonetto, do Lacen-PR, e do também pesquisador Marcelo Cordeiro, da Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc (RS), além da participação de revisores e editores de outros países.
O maior destaque é o BR-GLASS, sistema global de vigilância da resistência, no qual o Lacen -PR atua como ponto focal e como referência nacional. Nessa estrutura, o laboratório paranaense é o responsável técnico por validar os dados das análises que monitoram a circulação de bactérias multirresistentes no Brasil, servindo de base para o programa global da Organização Mundial da Saúde (OMS) – GLASS.
“O Paraná não apenas realiza exames, mas também produz inteligência científica de nível mundial. Ser reconhecido por uma revista com o rigor técnico da Frontiers reforça que o modelo paranaense é uma vitrine tecnológica que ajuda a proteger não só o nosso Estado, mas todo o país”, afirma o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
REFERÊNCIA – O protagonismo paranaense é fruto de uma definição estratégica do Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB). Para atender às exigências do programa global da OMS (GLASS), a CGLAB definiu o Lacen-PR como o Laboratório de Referência Nacional para o projeto de vigilância nacional BR-GLASS.
O sistema GLASS utiliza uma abordagem padronizada para a coleta e a análise de dados entre países. Um dos diferenciais destacados no artigo é a mudança de paradigma: a vigilância deixou de se basear apenas em laboratórios para incluir dados epidemiológicos, clínicos e populacionais.
Nesta estrutura, enquanto a CGLAB atua como o ponto focal administrativo no Ministério da Saúde, o Lacen-PR ocupa a posição de ponto focal da referência laboratorial. Isso significa que os dados de vigilância coletados em todo o território brasileiro passam pela validação técnica do Paraná antes de serem reportados internacionalmente.
“Nossa pesquisa evidenciou que a integração de dados laboratoriais ao perfil do paciente permite uma resposta muito mais assertiva”, destacou o pesquisador do Lacen-PR Marcelo Pillonetto, junto com o também pesquisador da Unisc, Marcelo Cordeiro.
O estudo mostra ainda que o uso de tecnologias rápidas no Programa VigiRAM – projeto que visa a criação e fortalecimento de um sistema nacional eficaz para monitorar, prevenir e combater a resistência antimicrobiana (RAM) no Brasil e que conta com a participação do Paaná com cinco hospitais – permitiu reduzir em até 39 horas o tempo de identificação de enzimas de resistência, agilizando o tratamento correto e o controle de surtos hospitalares.
A diretora do laboratório, Célia Fagundes Cruz, ressaltou o papel estratégico da unidade neste cenário. “O reconhecimento internacional desse artigo reflete o investimento contínuo do Governo do Estado em infraestrutura e na capacitação da nossa equipe técnica. O Lacen no Paraná hoje é o coração de uma rede que garante dados precisos e alta tecnologia para a saúde nacional, alimentando ativamente a base global”, afirmou.
CENÁRIO – A resistência antimicrobiana é uma crise de saúde pública em crescimento. No Brasil, estima-se que ocorram, anualmente, cerca de 33.200 mortes diretas causadas por bactérias resistentes. O estudo aponta que a detecção de genes de resistência, como o New Delhi Metalobetalactamase (NDM), saltou de 4,2% em 2015 para 23,8% em 2022 no país, tendência agravada durante a pandemia da Covid-19.
O modelo liderado pelo Paraná segue o conceito de Uma Só Saúde (One Health), integrando o monitoramento da saúde humana, animal e ambiental. (AEDN).
