Saúde alerta sobre os riscos de queda de idosos; foram 13 mil casos no Paraná em 2025

As quedas de idosos raramente são eventos isolados, estando frequentemente associadas a um declínio funcional gradual, que inclui a perda

As quedas de idosos raramente são eventos isolados, estando frequentemente associadas a um declínio funcional gradual, que inclui a perda de força muscular, alterações de equilíbrio e o uso de múltiplos medicamentos. Fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e falta de barras de apoio, também desempenham um papel crucial.

Paraná possui mais de 2 milhões de pessoas idosas, o que representa 17,6% da população, cenário que exige planejamento permanente e monitoramento contínuo. Embora quedas possam ocorrer em qualquer idade, seus impactos na população acima de 60 anos são desproporcionalmente graves, levando a fraturas, perda de autonomia e complicações graves. Diante deste cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta para a conscientização e prevenção de quedas em idosos e destaca que a maioria desses acidentes podem ser evitados com medidas simples.

Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), o Paraná registrou ano passado 13.077 internações de idosos por quedas, com uma prevalência maior entre as mulheres, que somaram 8.021 registros contra 5.056 de homens. A gravidade dos acidentes se reflete no número de mortes, que aumenta progressivamente com a idade. No mesmo ano, foram 412 óbitos, sendo 226 deles na faixa etária com mais de 80 anos, que também concentra a maior taxa de quedas do último ano, chegando a representar 50% dos casos.

As quedas de idosos raramente são eventos isolados, estando frequentemente associadas a um declínio funcional gradual, que inclui a perda de força muscular, alterações de equilíbrio e o uso de múltiplos medicamentos. Fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e falta de barras de apoio, também desempenham um papel crucial, especialmente dentro de casa, onde a maioria dos acidentes ocorrem.

Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, os dados mostram que as quedas não podem ser tratadas como acidentes isolados, mas sim como um evento comum e, muitas vezes, evitável. Ele ressalta a importância de uma abordagem coletiva para o problema. “É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas. Todos têm um papel na construção de um envelhecimento mais seguro e saudável”, afirmou.

REFERÊNCIA NO ATENDIMENTO – O Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, é referência no atendimento a traumas no Paraná e recebe diariamente pacientes idosos vítimas de quedas. O hospital possui um protocolo específico e rigoroso para agilizar o atendimento de idosos com fraturas deste tipo e o objetivo de realizar a cirurgia em até 48 horas, o que aumenta significativamente a sobrevida do paciente. Situações específicas, incluindo pacientes sob uso contínuo de medicamentos, como anticoagulantes, por exemplo, podem ter que aguardar um prazo maior para a realização do procedimento.

Quando um idoso chega ao pronto-socorro do HT com histórico de queda e suspeita de fratura, a equipe faz uma avaliação rápida, confirmado o diagnóstico com raio-X, e começa a contagem do tempo de otimização para a cirurgia. O paciente passa por avaliação clínica, avaliação anestésica e exames pré-operatórios, tudo para que a cirurgia aconteça no menor tempo possível.

De acordo com o médico ortopedista, especialista em cirurgia do quadril do HT e gerente técnico do Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), Bruno Schuta Bodanese, a agilidade no atendimento é fundamental para evitar complicações. “A partir de 48 horas, o efeito na mortalidade aumenta. O pós-operatório, normalmente, é na UTI, justamente pela idade e pela gravidade do trauma cirúrgico. Porém, no dia seguinte da cirurgia, o paciente já senta, já começa a fazer exercício e a andar”, explicou o especialista.

Um diferencial importante do HT é a integração com o CHR, que faz parte do Complexo do Hospital do Trabalhador. Todos os pacientes que realizam a cirurgia de quadril são encaminhados para acompanhamento em fisioterapia após deixar o hospital. O tempo de recuperação varia de acordo com o estado clínico de cada paciente, mas geralmente dura de três a seis meses. “Nós acionamos em 100% dos casos o Centro de Reabilitação. O paciente sai de alta aqui do Trabalhador, já com a fisioterapia agendada para ter uma reabilitação mais adequada, um fluxo melhor, tudo isso de uma forma mais direcionada”, explicou Bodanese.

OSTEOPOROSE AUMENTA O RISCO DE LESÕES – Um fator agravante frequentemente subdiagnosticado é a osteoporose, uma doença silenciosa que se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas. Uma estimativa do Ministério da Saúde aponta que 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Em um idoso com osteoporose, uma queda que poderia resultar em apenas um hematoma pode levar a uma fratura grave, como a de fêmur, que tem altas taxas de mortalidade e perda de independência.

PREVENÇÃO –  As estratégias de prevenção são multifatoriais e incluem desde a prática regular de exercícios físicos para fortalecimento muscular e ósseo até a revisão periódica de medicamentos. Para combater a fragilidade óssea, a recomendação é manter uma dieta rica em cálcio e a exposição solar moderada para produção de vitamina D.

Ainda sobre prevenção, o SUS disponibiliza medicamentos para tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No último ano, o Paraná registrou crescimento de 165,54% no número de pessoas idosas avaliadas pelas equipes de saúde.

Em casa, a adaptação do imóvel com a instalação de barras de apoio, a melhora da iluminação, remoção de obstáculos, tapetes e pantufas escorregadias também são recomendadas para evitar quedas.

LINHA DE CUIDADO AO IDOSO – O esforço para reduzir a incidência de quedas é contínuo e também envolve a capacitação de profissionais de saúde, a realização de campanhas de conscientização e a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.

Para a diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a capacitação de profissionais e materiais de apoio são referências para orientação de famílias, profissionais e cuidadores.

“O projeto Envelhecer com Saúde no Paraná norteia nossos trabalhos, ações e iniciativas voltadas à população idosa no Estado. Mantemos um olhar atento a esse público e sabemos da importância de aprimorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança”, explicou a diretora.

A Sesa tem investido em políticas públicas robustas, como o projeto Envelhecer com Saúde no Paraná. Uma das principais ferramentas dessa iniciativa é o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O material oferece orientações práticas para adaptar o ambiente doméstico e adotar comportamentos seguros, servindo como um guia para idosos, familiares e cuidadores.(AEDN).