Ciência e soluções reais: alunos da rede estadual levam projetos à ExpoUmuarama

Entre os trabalhos está o DengueBot, desenvolvido por alunos do Colégio Estadual Vereador José Balan, em Umuarama. O projeto consiste

Entre os trabalhos está o DengueBot, desenvolvido por alunos do Colégio Estadual Vereador José Balan, em Umuarama. O projeto consiste em um protótipo de robô autônomo criado para auxiliar no combate ao mosquito da dengue por meio da dispersão de citronela.

Dois projetos desenvolvidos por estudantes de clubes de ciências da rede estadual de ensino do Paraná nas áreas de ciência, tecnologia e sustentabilidade estarão em destaque nesta quarta-feira (18) na ExpoUmuarama, no Noroeste. As iniciativas serão apresentadas no espaço do Mudi – Museu Dinâmico Interdisciplinar da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Parque de Exposições da cidade, mostrando ao público como a pesquisa escolar pode contribuir para enfrentar desafios da sociedade. A Expo Umuarama começou no dia 12 e vai até 22 de março.

Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a presença da rede estadual em um evento de grande porte como a Expo Umuarama demonstra o potencial da educação pública para estimular a inovação entre os estudantes. “Projetos como esses mostram como a escola pública pode ser um espaço de inovação, criatividade e desenvolvimento científico”, disse.

“Quando os estudantes são estimulados a pesquisar e criar soluções para desafios reais, como o combate à dengue ou a preservação ambiental, eles desenvolvem pensamento crítico, autonomia e protagonismo. A educação do Paraná tem investido cada vez mais em iniciativas que aproximam os alunos da ciência e da tecnologia”, destacou o secretário.

Entre os trabalhos está o DengueBot, desenvolvido por alunos do Colégio Estadual Vereador José Balan, em Umuarama. O projeto consiste em um protótipo de robô autônomo criado para auxiliar no combate ao mosquito da dengue (Aedes aegypti) por meio da dispersão de citronela.

A ideia surgiu em 2023, em meio ao aumento dos casos da doença no município. A região apresenta alto risco climático para dengue, segundo informações do Laboclima da Universidade Federal do Paraná (UFPR), divulgados no último Boletim Epidemiológico da secretaria estadual de Saúde (Sesa-PR).

“Naquele período, muitos alunos e professores começaram a faltar às aulas por causa da dengue. Os próprios estudantes trouxeram a proposta de tentar desenvolver alguma solução para ajudar no combate ao mosquito”, explicaouo professor Maikon Schmidt, que acompanha o projeto.

O protótipo inicial foi desenvolvido ao longo de cerca de seis meses durante as aulas de robótica, utilizando o kit disponibilizado pela rede estadual, que contém componentes eletrônicos essenciais para projetos educacionais, incluindo notebooks, placas de desenvolvimento, sensores (ultrassônico, luz, temperatura/umidade), LEDs (vermelho, branco, verde, amarelo), botões, motores e peças para montagem.

Além disso, foram utilizados também materiais recicláveis e componentes eletrônicos reaproveitados no projeto iniciado com a participação de quatro alunos do 7º ano, mas hoje integra um Clube de Ciências com 22 estudantes.

Os participantes são alunos identificados com Altas Habilidades/Superdotação, que demonstram grande interesse em áreas como matemática, robótica, programação e engenharia. A rede estadual de ensino conta com cerca de 12 mil estudantes com altas habilidades. Hoje o Estado conta com 315 salas destinadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) para esses alunos, distribuídas em 167 escolas. Em 2026, outras 11 unidades escolares vão expandir suas estruturas para receber esse atendimento.

Segundo Schmidt, além de propor uma solução para um problema de saúde pública, o projeto também estimulou o interesse dos alunos pela ciência. “O DengueBot mostrou como a tecnologia pode ser usada como aliada na prevenção de problemas reais e acabou dando origem ao nosso Clube de Ciências, incentivando outros estudantes a desenvolver projetos para enfrentar desafios da sociedade”, afirmou.

O trabalho já recebeu diversas premiações. Em 2024, conquistou o 1º lugar na categoria Robótica do concurso Agrinho. No ano seguinte, obteve o 1º lugar em Ciências Biológicas na Feira Cultural Científica do Paraná Faz Ciência (Fecci), em Curitiba, e também o 1º lugar em Tecnologia e Inovação na FENAAHS, em Foz do Iguaçu. Com esses resultados, os alunos foram classificados para a Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), que vai apresentar os finalistas em 1º de maio, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.

PAISAGISMO SUSTENTÁVEL – Outro projeto que será apresentado na ExpoUmuarama é o Paisagismo Sustentável, desenvolvido por estudantes da Escola Estadual Manuel Bandeira, de Alto Piquiri.

A iniciativa integra ações do programa Paraná Faz Ciência e busca aproximar os estudantes da pesquisa científica por meio de práticas de educação ambiental e sustentabilidade. O clube envolve atualmente 30 alunos, que participam de encontros semanais voltados à investigação científica, planejamento e desenvolvimento de soluções para revitalização de espaços escolares.

Entre as iniciativas estão a criação de hortas e jardins, o reaproveitamento de materiais recicláveis com destaque para o desenvolvimento de um sistema de irrigação inteligente, criados com apoio das aulas de robótica, reaproveitando materiais como motor de portão e correntes de moto. Durante as atividades, os alunos utilizam sensores e sistemas automatizados para monitorar e controlar a irrigação dos espaços revitalizados.

A professora Katia Regina Cosmo, autora do projeto, explica que a iniciativa surgiu a partir da vontade de transformar o ambiente escolar em um espaço mais acolhedor para os estudantes. “A ideia nasceu da necessidade de tornar a escola mais atrativa e significativa para os alunos. A partir disso, estruturamos o projeto dentro do programa Paraná Faz Ciência e passamos a desenvolver, junto com os estudantes, ações de revitalização com foco em sustentabilidade”, afirmou.

Segundo a professora de Matemática e Robótica, Janice Almeida Tecilla, coautora do projeto, os estudantes pesquisam, planejam e desenvolvem projetos relacionados ao uso consciente dos recursos naturais. “Ao mesmo tempo, participam da revitalização dos espaços da escola e desenvolvem consciência ambiental”, disse.

Assim como o DengueBot, o projeto também foi desenvolvido pelos alunos com Altas Habilidades, que se destacam em áreas como robótica, engenharia, ciências ambientais e design sustentável.

O projeto começou em agosto de 2024 e já recebeu reconhecimento em eventos científicos. Em 2025, os estudantes participaram da I Mostra da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, em Guarapuava, e também conquistaram o 1º lugar na categoria Inovação, Tecnologia e Robótica da FECCI.

A iniciativa também despertou o interesse dos alunos por novos projetos dentro do clube. “Os alunos passaram a se interessar mais pela ciência e a se enxergar como protagonistas. Muitos não tinham contato com esse universo e, depois das primeiras experiências, começaram a querer participar, pesquisar e desenvolver ideias próprias”, conta a professora Katia.

Para professores e estudantes, apresentar os projetos na Expo Umuarama é uma oportunidade de compartilhar essas experiências com a comunidade. “Eventos como esse permitem mostrar como a ciência desenvolvida na escola pode ajudar a resolver problemas reais e também inspirar outros jovens a se interessarem pela pesquisa e pela inovação”, destaca Schmidt.(AEDN).