Dia da Luta Antimanicomial: Paraná investe em rede humanizada e integrada

Data simboliza a transformação do modelo de assistência psiquiátrica no Brasil. Estado investe na consolidação de uma rede humanizada, territorial

Data simboliza a transformação do modelo de assistência psiquiátrica no Brasil. Estado investe na consolidação de uma rede humanizada, territorial e integrada de atendimento. São 163 Centros de Atenção Psicossocial, ambulatórios especializados em todas as 22 regionais de saúde do Paraná, sete Serviços Integrados de Saúde Mental do Paraná, entre outras estruturas.

No Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), reforça o compromisso com uma política pública de saúde mental baseada no acolhimento, na dignidade e na reinserção social. Distante do modelo que marcou o passado da psiquiatria brasileira de internações prolongadas, isolamento familiar e práticas violentas, o Estado investe na consolidação de uma rede humanizada, territorial e integrada de atendimento.

No Paraná, a rede de atenção conta com 163 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diversas modalidades, além de ambulatórios especializados distribuídos em todas as 22 regionais de saúde do Paraná.

Também integram a estrutura sete Serviços Integrados de Saúde Mental do Paraná (SIMPR), 41 equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental (eMAESM), 73 leitos em hospital geral, 1.651 leitos em hospital especializado em psiquiatria, 14 Serviços Residenciais Terapêuticos. Conta, também, com o compartilhamento do cuidado com as unidades básicas de saúde (UBS).

“Os tratamentos de saúde mental mudaram e evoluíram no decorrer dos anos. O Paraná investe em um tratamento humano, que foca na pessoa e em sua família, e sempre entendemos que se chega a isso investindo na formação dos profissionais e na estrutura”, afirma o secretário estadual da Saúde, César Neves.

O cuidado começa já na Atenção Primária à Saúde, dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que amplia e possibilita uma regionalização do atendimento. Para qualificar os profissionais da linha de frente, o governo estadual investe em cursos e treinamentos que os preparam para o acolhimento, o atendimento e o cuidado.

Neste ano, a rede foi ampliada com novas habilitações de CAPS em Joaquim Távora e Santa Mariana, no Norte Pioneiro. Já os municípios de Cruzeiro do Oeste, São Tomé e Ponta Grossa receberam Centros de Convivência, espaços comunitários voltados à convivência, cultura, arte e inclusão social.

REDE – No Paraná, a assistência é estruturada em rede, com foco na atenção psicossocial, redução de danos e no cuidado próximo da realidade de cada pessoa que usa os serviços. As ações do Estado e municípios devem seguir o disposto na Lei Federal 10.216/2001, que estabelece a reestruturação do sistema de saúde mental com foco na promoção dos direitos humanos, na autonomia das pessoas com sofrimento e transtorno mental e necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

ALÉM DA CLÍNICA – O modelo atual prioriza a atenção psicossocial, que compreende o cuidado na pessoa e não apenas na doença. O objetivo é contribuir para a recuperação emocional e social do usuário, além de fortalecer vínculos familiares e comunitários. Nos CAPS, o tratamento vai além do acompanhamento clínico. Os serviços desenvolvem ações de reabilitação social, que é parte do próprio processo terapêutico. São ofertados grupos terapêuticos, oficinas de artesanato, atividades artísticas, práticas de expressão verbal, autocuidado e atividades físicas.

As assembleias realizadas com os usuários da rede também integram esse processo. Nelas, são discutidos os fluxos de cuidado, direitos, deveres e estratégias de convivência, fortalecendo o exercício da cidadania. As equipes fazem, ainda, visitas domiciliares, acompanhamento médico e oficinas profissionalizantes. “É uma forma de promover também trabalho e renda”, destaca Jaqueline Aristides, coordenadora do CAPS de Apucarana, sobre as iniciativas de capacitação ofertadas.

Os Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR) são outro diferencial da rede paranaense, pois unem o CAPS ADIII e a Unidade de Acolhimento. Atualmente, essas unidades estão instaladas em Guarapuava, Marmeleiro, Cascavel, Cornélio Procópio, Coronel Vivida e Toledo.

Os serviços oferecem acompanhamento em saúde mental, acolhimento para pessoas em crise, suporte para usuários com necessidades relacionadas ao uso de álcool e drogas e ações de reinserção social, inclusive com acolhimento noturno quando necessário.

QUALIFICAÇÃO – A Sesa também tem investido na capacitação permanente das equipes para fortalecer o atendimento já na Atenção Primária. Em 2025, cerca de 18 mil profissionais foram qualificados em saúde mental em todo Estado, através do PlanificaSUS Paraná.

Uma das principais estratégias é a apresentação e treinamento dos profissionais da saúde para a aplicação do Manual de Intervenções mhGAP (MI-mhGAP), desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O material oferece protocolos clínicos e diretrizes para que profissionais não especializados possam identificar, acolher e manejar condições prioritárias de saúde mental.

Neste ano, a capacitação começou pelos municípios da Macrorregião Norte e pela 4ª Regional de Saúde, em Irati. Até o momento, 200 profissionais foram capacitados e outros 240 devem concluir a formação nos próximos meses, tornando-se multiplicadores em seus municípios.

A Sesa também tem uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para um curso de extensão de 100 horas, ofertado aos profissionais da Secretaria da Saúde e que aborda a temática de desinstitucionalização das pessoas com transtorno mental em conflito com a lei.

HISTÓRICO – O Dia Nacional da Luta Antimanicomial simboliza a transformação do modelo de assistência psiquiátrica no Brasil. Durante décadas, pessoas com transtornos mentais eram submetidas a internações compulsórias prolongadas, afastadas da família e privadas do convívio social em instituições marcadas por violência, segregação e perda de direitos.

O movimento da luta antimanicomial ganhou força no Brasil a partir de 1987, que impulsionou a Reforma Psiquiátrica brasileira e a mudança de entendimento sobre o tratamento em saúde mental. A ideia de que pessoas com transtornos psíquicos representavam ameaça à sociedade e deveriam permanecer afastadas foi substituída por políticas de desinstitucionalização, autonomia e convivência comunitária.

Com a reforma, o país passou a construir uma rede substitutiva ao hospital psiquiátrico tradicional, baseada no cuidado comunitário e na valorização da autonomia das pessoas com sofrimento e transtorno mental. O entendimento introduzido com a reforma combate o estigma e discriminação que esta população recebeu durante muitos anos.

No Paraná, essa mudança se traduz na consolidação de uma rede de atendimento que busca acolher o usuário em seu território, fortalecer vínculos familiares, ampliar o acesso ao tratamento e garantir que o cuidado em saúde mental aconteça com dignidade, cidadania e liberdade.(AEDN).