Copa do Mundo 2030: como está a obra do estádio do Marrocos para 115 mil pessoas que briga pela final
Projeto do Hassan II, que pretende se tornar o maior palco de futebol do mundo, concorre com o Santiago Bernabéu,
Projeto do Hassan II, que pretende se tornar o maior palco de futebol do mundo, concorre com o Santiago Bernabéu, do Real Madrid; construção está 40% pronta e promete mudar o patamar do país
O ciclo das seleções para a Copa do Mundo de 2030 já começou, mas a Fifa ainda não decidiu qual será o palco da grande final. Um dos concorrentes nessa disputa é o Grand Stade Hassan II, estádio bilionário do Marrocos que está em construção e pretende abrigar 115 mil pessoas.
A ideia é que o Hassan II se torne o maior estádio do mundo, com capacidade para 38 mil pessoas a mais que o Maracanã, a título de comparação. Ele ficará em Benslimane, uma cidade localizada entre Casablanca, centro econômico do país, e Rabat, a capital do Marrocos.
O projeto
O reino do Marrocos anunciou a construção de um novo estádio em 2023. Menos de um ano depois, o projeto ganhou nome e forma: Grand Stade (“grande estádio” em francês) Hassan II. A previsão inicial era que o projeto custaria 5 bilhões de dirhams marroquinos (MAD), aproximadamente R$ 2,4 bilhões na cotação da época.
Atualmente, a mídia marroquina aponta que o custo real deve ultrapassar a marca de 11 bilhões de MAD — mais de R$ 5 bilhões.
A construção do estádio é a principal de uma série de melhorias do governo para se adequar ao “Padrão Fifa” na Copa do Mundo. A arena leva o nome de um antigo monarca do Marrocos: Hassan II. É o termo de reinado de Hassan bin Mohammed, que governou o país de 1961 até sua morte, em 1999. Mohammed VI, seu filho, é o rei desde então.
Outros estádios do país também serão reformados, em Tânger, Casablanca, Rabat, Agadir, Markech e Fez, por exemplo, ao custo de cerca de R$ 2,9 bilhões. A próxima Copa será realizada em três países: Marrocos, Espanha e Portugal.
— As expectativas no Marrocos são enormes. Há quatro décadas o país todo aguarda a oportunidade de sediar uma Copa do Mundo. O desafio agora parece uma meta realista, em comparação com a década de 1990, especialmente no que diz respeito à infraestrutura. O estádio Hassan II consolidará a expertise marroquina, já demonstrada ao sediar a Copa das Nações Africanas no início de 2026. Todos os estádios foram reconstruídos do zero. O Hassan II será a cereja do bolo — disse Amine El Amri, editor-chefe adjunto do canal SKWAD (2M TV).
O Grand Stade Hassan II foi desenvolvido pelos escritórios de arquitetura Oualalou+Choi e Populous e pretende alcançar 119 mil metros quadrados de área construída. Em junho deste ano, o projeto foi premiado no Architizer, o maior programa de premiação de arquitetura do mundo, na categoria “instalações esportivas e recreativas não construídas”.
Um dos destaques do estádio é o design inspirado nos “moussems”, festivais culturais marroquinos, e suas tendas. A estrutura será feita por um anel de 32 escadas e coberta por uma enorme armação de alumínio, que remete à forma de uma tenda de tecido.
A proposta é que cada lado do estádio comporte até 29,5 mil espectadores. Outra característica do Hassan II é a valorização dos jardins, que estarão no nível do solo e também em plataformas elevadas a 28 metros, ao redor do campo. O local também contará com centros de treinamento, complexos aquáticos, hotéis, lojas e espaços de lazer para o desenvolvimento urbano.
— O futebol é uma paixão enorme no Marrocos e, desde a nossa campanha na Copa do Mundo de 2022, todos aguardam ansiosamente por 2030 como o nosso grande momento. Ouve-se falar do estádio em toda parte, nos cafés, no trabalho e na internet. Saber que Benslimane sediará o maior estádio do mundo faz com que todos nós nos sintamos parte da história — afirmou El Hajjam.
A obra
O financiamento público para erguer o Hassan II foi aprovado em outubro de 2023. A primeira fase das obras teve início cerca de um ano depois, com a demarcação e preparação do terreno. Essa etapa terminou em maio de 2025.
A construção está sob comando de um consórcio liderado pela SGTM, sigla para Société Générale des Travaux du Maroc (Companhia de Obras Gerais do Marrocos, em português), uma gigante nacional do setor, junto de empresas parceiras.
O anúncio oficial do estádio garantia que ele ficaria pronto até o final de 2027, e as notícias mais recentes são de que 40% da obra foi concluída até o momento. O jornalista El Amri afirma que a entrega não deve ter atrasos relevantes.
— Acredito que seja uma meta bastante viável. Talvez leve alguns meses a mais, mas, mesmo que fique pronto em meados de 2028, acho que isso prova que o Marrocos consegue entregar a obra no prazo.
Pela magnitude da construção e os requisitos técnicos, jornais locais apontam uma mobilização de dez mil trabalhadores no canteiro de obras. Esse número deve dobrar na etapa da cobertura do estádio.
— As obras avançam rapidamente e já estão impulsionando as estradas locais, o transporte e a economia. Claro, as pessoas esperam que tudo corra conforme o planejado, mas, de modo geral, todos estão confiantes. Estamos prontos para sediar um torneio incrível e mostrar ao mundo do que o Marrocos é capaz — disse El Hajjam.
A concorrência
O Grand Stade Hassan II tem como maior oponente na corrida para sediar a decisão da Copa do Mundo de 2030 o estádio Santiago Bernabéu, da Espanha, e casa do Real Madrid. A campanha do lado marroquino se concentra na entrega do maior estádio do mundo.
Na Espanha, por outro lado, o Santiago Bernabéu tem como maior trunfo a boa relação do presidente do clube, Florentino Pérez, com a Fifa. Ele foi reeleito em junho para permanecer no cargo por mais quatro anos.
De acordo com a imprensa espanhola, uma possibilidade levantada nos bastidores é que a final seja em Madri, mas com uma das semis no Hassan II. Outra possível compensação para o Marrocos seria a oportunidade de sediar a Copa de Clubes de 2029.
A competição para ter a grande final ganhou novos contornos políticos por estar acontecendo justamente no período da campanha de reeleição de Gianni Infantino no comando da Fifa. Especialmente depois do fracasso do projeto “FIFA Forward Enterprise”, que pretendia criar uma empresa para controlar as competições da Fifa e vender ações.
