Segundo André Franzini, gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, a água da chuva que cai em diferentes regiões do Paraná chega ao Rio Iguaçu por meio desses afluentes e segue em direção às Cataratas.
“Como ele corta um trecho muito longo, praticamente o estado todo do Paraná, então todos os afluentes vão alimentando o Rio Iguaçu”, explica Franzini.
Como é possível saber quanta água está chegando às Cataratas?
O Rio Iguaçu é monitorado em diferentes pontos ao longo de seu percurso, inclusive nas usinas hidrelétricas instaladas no rio.
Segundo Franzini, a vazão é calculada a partir de medições do nível da água, feitas com equipamentos instalados no leito do rio. Esses dados são associados a cálculos que permitem estimar quantos litros passam por determinado trecho a cada segundo.
Os dados ajudam a acompanhar a cheia e a prever, com alguma antecedência, o aumento da vazão nas Cataratas. Um dos principais pontos de monitoramento fica em Porto Capanema, no sudoeste do Paraná, antes de o Rio Iguaçu chegar às quedas.
Além de Porto Capanema, as equipes acompanham informações de hidrelétricas como Baixo Iguaçu, Salto Caxias, Salto Osório e Salto Santiago.
O tempo que a água leva para percorrer o rio varia conforme o volume e a velocidade da correnteza.
Segundo Franzini, em condições próximas da vazão média, a água monitorada em Capanema leva cerca de 12 horas para chegar às Cataratas. Durante as cheias, esse intervalo pode cair para aproximadamente oito horas.
“Quando o volume de água está maior, a velocidade da água também é maior, por causa do escoamento”, explica.
Isso significa que, quanto mais cheio está o rio, menor pode ser o tempo disponível para que as equipes se preparem para um novo aumento da vazão.
O especialista explica que não é possível estabelecer um prazo único para a água da chuva que cai perto da nascente do Rio Iguaçu chegar às Cataratas. O percurso depende de fatores como a quantidade de chuva nas diferentes regiões da bacia e as condições dos reservatórios das hidrelétricas.
Hidrelétricas também influenciam na vazão
As hidrelétricas instaladas ao longo do Rio Iguaçu também influenciam a forma como a água segue em direção às Cataratas.
Parte da água armazenada nos reservatórios passa pelas turbinas para produzir energia elétrica. Quando necessário, as usinas também podem liberar água pelos vertedouros.
Essas operações interferem na quantidade de água liberada em cada trecho do rio e no momento em que ela segue para as regiões mais baixas da bacia.
No entanto, as hidrelétricas não são responsáveis pela formação das cheias. O principal fator para o aumento expressivo da vazão continua sendo o volume de chuva que cai sobre a bacia do Rio Iguaçu.
Aumento da vazão exige medidas de segurança
Por conta da grande vazão, a passarela das Cataratas do Iguaçu foi interditada no último domingo (11). A interdição começou às 8h, quando a vazão estava em 8,8 milhões, e foi adotada de forma preventiva, por segurança dos visitantes, devido ao aumento do volume de água nas quedas.
Ainda não há previsão para a reabertura da passarela. Segundo a concessionária Urbia+Cataratas, o acesso será liberado quando o volume de água diminuir para níveis considerados seguros e não houver previsão de nova elevação da vazão.
Dois dias depois, as grades de proteção da passarela começaram a ser retiradas. A medida faz parte de um protocolo de segurança para permitir a passagem da água e evitar danos à estrutura diante da previsão de aumento da vazão.
A última vez que isso aconteceu foi em 2023, quando a vazão atingiu 13,7 milhões de litros por segundo.
Segundo a Urbia Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, as grades podem dificultar a passagem da água e de objetos carregados pela correnteza, como galhos e troncos, aumentando a pressão sobre a estrutura.
Por isso, as equipes retiram preventivamente as proteções quando a vazão está elevada e há previsão de aumento do volume de água. O procedimento é realizado pelas equipes de segurança e operação do parque, principalmente por bombeiros civis.
Apesar da cheia, o Parque Nacional do Iguaçu continua recebendo turistas. A Trilha das Cataratas permanece aberta, permitindo a observação das quedas a partir dos pontos liberados para visitação.
(G1).