Por que a passarela das Cataratas do Iguaçu não é levada pela água? Construção foi feita para suportar vazão de milhões de litros por segundo
Construída na década de 1990, estrutura é presa diretamente à rocha por fundações especiais. Durante a obra, foi necessário desviar
Construída na década de 1990, estrutura é presa diretamente à rocha por fundações especiais. Durante a obra, foi necessário desviar o Rio Iguaçu, mas uma cheia destruiu parte da estrutura usada para conter a água e arrastou equipamentos.
A passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi construída com fundações que penetram na rocha para resistir à força da correnteza durante as grandes cheias do Rio Iguaçu.
Nesta quarta-feira (14), a vazão chegou a 15,8 milhões de litros por segundo. O volume é mais de dez vezes superior à média histórica e a água ultrapassou a altura da passarela.
A estrutura, que leva os turistas até um dos principais mirantes das quedas, já enfrentou cheias com vazão de até 46 milhões de litros de água por segundo sem que suas vigas e colunas de concreto fossem levadas pela água.
O segredo da resistência está na técnica utilizada na fundação da obra. Chamada de estacas-raiz.
Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pela execução das fundações, explica que a resistência está na forma como a estrutura é fixada ao leito do rio.
Diferentemente de uma fundação apenas apoiada sobre a superfície, as estacas-raiz são instaladas em perfurações que alcançam e penetram na rocha. Dentro dessas perfurações, são colocadas armaduras de aço e uma mistura de cimento injetada sob pressão.
O processo permite que as estacas fiquem presas à rocha, criando uma ligação resistente entre o solo e a estrutura de concreto da passarela.
“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou Lorenzi.
