Porto de Paranaguá avança na agenda climática com Plano de Descarbonização

Porto de Paranaguá avança na agenda climática com Plano de Descarbonização A Portos do Paraná apresentou nesta quarta-feira (11) o

Porto de Paranaguá avança na agenda climática com Plano de Descarbonização

A Portos do Paraná apresentou nesta quarta-feira (11) o seu Plano de Descarbonização, no Palácio Taguaré, sede administrativa da empresa pública. O documento tem uma série de medidas para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), com previsão de alcançar a neutralidade em 2050. Ele foi elaborado pela Fundación Valenciaport, centro espanhol de inovação vinculado ao Porto de Valência, especializado em transição energética, novas tecnologias e combustíveis renováveis.

O inventário foi elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol, padrão global utilizado para medir, gerenciar e reportar emissões de gases de efeito estufa, e no Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, publicado por Puertos del Estado.

No período analisado, as atividades do complexo portuário dos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, distribuídas em três escopos de análise. O Escopo 1 refere-se às emissões diretas da Autoridade Portuária e representou 2,7% do total. O Escopo 2, relacionado às emissões indiretas do consumo de energia elétrica, somou 0,1%. Já o Escopo 3, que inclui emissões indiretas das demais atividades relacionadas às operações portuárias – como terminais, transporte terrestre, serviços de apoio e navios –, representou 97,1% das emissões de GEE.

O estudo tem iniciativas para mitigar todas essas áreas. A próxima etapa será a implementação de grupos de trabalho com a comunidade portuária. Eles terão como objetivo implementar projetos como a eletrificação de equipamentos, adequações em processos operacionais e novos padrões voltados à redução das emissões de GEE.

“A meta central de descarbonização da Portos do Paraná é a mesma da Organização Marítima Internacional (IMO): emissões zero até 2050”, explicou o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana. “Entre as sugestões apresentadas estão a melhoria na coleta de dados, estudos da demanda energética dos navios atracados e a eletrificação do cais, com a substituição de equipamentos operacionais movidos a combustíveis fósseis. Agora vamos incorporar as iniciativas às nossas rotinas ambientais”.

“A Portos do Paraná é um dos poucos portos latino-americanos que possuem um plano de descarbonização estruturado. Isso demonstra a inovação e o compromisso da administração do porto com a sustentabilidade”, declarou o diretor de Desenvolvimento Internacional da Fundación Valenciaport, Miguel Garín.

INVENTÁRIO E TRABALHO COLABORATIVO – A construção do plano começou com o Inventário de Gases de Efeito Estufa, também elaborado pela Fundación Valenciaport e concluído no primeiro semestre de 2025. Segundo o gerente de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Thales Trevisan, essa foi uma das etapas mais desafiadoras. “Chamamos empresa por empresa para verificar qual era o nível de cada uma em relação aos seus inventários”, declarou.

A coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da Catallini Terminais, Gabriella Leal, acompanhou o evento e destacou o trabalho da empresa na elaboração do próprio inventário de gases de efeito estufa, iniciado em 2021. “Nossa perspectiva é conseguir executar o nosso plano de descarbonização ainda este ano”, afirmou.

Já a Cotriguaçu iniciou neste ano seu inventário de gases de efeito estufa para subsidiar futuras metas de descarbonização. “A descarbonização é uma demanda do setor portuário e de todo o planeta. Estamos engajados nesse processo, junto com a Portos do Paraná e a Aliança Brasileira para Descarbonização dos Portos”, declarou a analista sênior de ESG da Cotriguaçu, Simone Czarnobai.

Além do público presente, mais de 100 pessoas participaram do evento de forma on-line. O evento foi marcado por pitches (apresentações curtas e objetivas de soluções ou projetos) e exposições de empresas com soluções sustentáveis na área externa do auditório.

Uma das organizações participantes foi o Grupo Borelli, que apresentou o uso de caminhões movidos a Gás Natural Veicular (GNV) na rota entre o interior do Paraná e Paranaguá. Já a empresa Linck Máquinas, distribuidora oficial da Volvo, apresentou as vantagens da pá carregadeira elétrica para operações portuárias.

“A melhor forma de incentivar a sustentabilidade no setor é mostrar que a transição energética traz desafios, mas também gera oportunidades e vantagens competitivas”, afirmou o diretor de Transição Energética e Descarbonização da Fundación Valenciaport, Josep Sanz.

NAVIOS VERDES – O estudo revelou que 89,2% das emissões de gases de efeito estufa registradas na região portuária em 2023 tiveram origem nos navios, e não nas atividades operacionais do porto. Para incentivar práticas mais sustentáveis, a Autoridade Portuária concede prioridade de atracação aos chamados “navios verdes” – embarcações com melhor desempenho ambiental.

A medida está prevista no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios – edição 2023, que beneficia navios com matrizes energéticas voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa.

Desde 2019, a Portos do Paraná também participa da COP (Conferência das Partes), evento anual das Nações Unidas voltado às mudanças climáticas. A empresa pública firmou parceria com o Porto de Rotterdam, na Holanda, para desenvolver projetos de energias renováveis em Paranaguá e Antonina. O memorando de entendimento, assinado em 2023, integra o programa Green Ports Partnership, com duração de três anos.

Além disso, a Portos do Paraná é o único porto público brasileiro com certificação EcoPorts, referência internacional em gestão ambiental portuária.(AEDN).