Miniauditório do Guaíra recebe espetáculo bilíngue “Manual de Como Não Esquecer Meu Nome”

A peça aborda, com sensibilidade, temas como família, amor e memória. Toda a dramaturgia é sinalizada em Libras pela própria

A peça aborda, com sensibilidade, temas como família, amor e memória. Toda a dramaturgia é sinalizada em Libras pela própria atriz, explorando a potência poética e estética do encontro entre as duas línguas.

De 28 de maio a 7 de junho (quinta a domingo), o Miniauditório do Teatro Guaíra recebe o espetáculo bilíngue, em Português e em Libras, “Manual de Como Não Esquecer Meu Nome”.

Com direção de Laís Cristina, a peça é baseada na história real de Eunice: mulher nordestina, foi lavadeira e diarista a vida toda. Dedicou a juventude a cuidar dos 30 irmãos mais novos, 5 filhos e do marido, Luiz. Aos 74 anos, desenvolveu Alzheimer. A peça acompanha, pela perspectiva da neta — interpretada por Amanda Curedes —, a progressão da doença até o momento em que a memória de Eunice se esvai por completo. Amanda dialoga com a presença simbólica da avó enquanto revisita sua história: da vinda de Iguatu, no Ceará, para Curitiba, até a vida que ela construiu ali.

A peça aborda, com sensibilidade, temas como família, amor e memória. A partir da rotina de cuidado vivida pela atriz com sua avó, o espetáculo apresenta o esquecimento sob a perspectiva de mulheres que, ao longo da vida, foram cuidadoras, esposas, mães e avós, e que muitas vezes tiveram suas próprias identidades engolidas por esses papéis.

A Libras (Língua Brasileira de Sinais) vai muito além de um recurso de acessibilidade no espetáculo. Toda a dramaturgia é sinalizada pela própria atriz, explorando a potência poética e estética do encontro entre as duas línguas. A consultoria em Libras é realizada por Gabriela Grigolom (Negabi), artista surda, e pelo intérprete Nathan Sales, garantindo que a Libras não apareça apenas como uma tradução, mas como uma língua plena, portadora de uma experiência cultural específica.

Em um tempo de excesso de informação e anestesia emocional, a peça propõem um encontro delicado e profundo com as memórias. (AEDN).