Novo submarino da Marinha passa por teste de submersão no RJ antes de entrar em operação
Procedimento ocorreu na região de Itaguaí, e avaliou equilíbrio, estabilidade e funcionamento dos sistemas da embarcação. O submarino Almirante Karam,
Procedimento ocorreu na região de Itaguaí, e avaliou equilíbrio, estabilidade e funcionamento dos sistemas da embarcação.
O submarino Almirante Karam, o mais novo da Classe Riachuelo da Marinha do Brasil, concluiu sua primeira imersão estática na Região Metropolitana do Rio de Janeiro na semana passada. O teste foi realizado nas proximidades do Complexo Naval de Itaguaí e marcou mais uma etapa do processo de certificação da embarcação antes de sua entrada em operação, que é prevista para o ano que vem.
A embarcação possui 72 metros de comprimento, equivalente a um prédio de cerca de 24 andares, e pode contar com uma tripulação de 42 pessoas. O submarino possui capacidade de ficar por até 70 dias submerso, em missões reservadas.
“Essa embarcação atinge profundidades superiores a 200 metros, o que realmente é um grande ganho para a força de submarino, para a Marinha do Brasil, para todos os brasileiros”, afirmou o capitão de fragata Leandro Amaral, comandante do submarino.
Segundo a Marinha, o procedimento realizado na semana passada permitiu avaliar o comportamento do submarino na água e verificar parâmetros relacionados ao equilíbrio, à estabilidade e ao funcionamento dos sistemas de bordo.
Durante a atividade, o submarino foi levado à condição de imersão de forma controlada, sem utilizar a propulsão. Militares, engenheiros e técnicos acompanharam a estanqueidade do casco, além da resposta da embarcação às variações de peso e inclinação.
De acordo com o comandante do Almirante Karam, capitão de corveta Leandro Amaral, a imersão estática ocorre quando a água do mar preenche os tanques de lastro por meio da abertura dos suspiros, até que o submarino atinja a condição prevista para o teste.
Os dados coletados ajudam a determinar o deslocamento e as condições de equilíbrio do submarino.
O Almirante Karam pode lançar minas, mísseis e torpedos.
“É importante que ele tenha o nível de ruído o mais baixo possível. Porque a característica principal do submarino é o seu silêncio, é a ocultação, para que não seja perceptível a sua presença”, afirmou o comandante.
Mais do que verificar a capacidade de mergulho da embarcação, a imersão estática serve para comparar os resultados previstos durante o projeto com o desempenho observado na prática.
Antes de um submarino entrar na água, engenheiros calculam como ele deverá flutuar, inclinar e reagir a mudanças na distribuição de peso. As estimativas levam em conta o peso do casco, dos equipamentos, das baterias, dos tanques e de outros sistemas instalados a bordo.
Segundo a Marinha, mesmo submarinos construídos a partir de um mesmo projeto podem apresentar pequenas diferenças na distribuição de peso. Por isso, cada unidade passa por avaliações próprias.
Próximas etapas
A Marinha informou que o Almirante Karam ainda passará por uma série de testes que incluem navegação na superfície, imersão dinâmica e verificação do desempenho de sistemas essenciais.
Nessas etapas, serão analisados o funcionamento da propulsão, a resposta dos lemes, os equipamentos de navegação, comunicação e detecção, além do comportamento da embarcação em diferentes condições operacionais.
De acordo com a Marinha, cada fase só é iniciada após a análise dos resultados da etapa anterior, permitindo a realização de eventuais ajustes antes de testes mais complexos, como imersões em grandes profundidades e avaliações dos sistemas de armas.
Prosub
O Almirante Karam foi construído dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e é o quarto submarino da Classe Riachuelo, versão brasileira baseada no projeto francês Scorpène.
O modelo recebeu adaptações para atender às necessidades operacionais da Marinha do Brasil, incluindo alterações nas dimensões e aumento da autonomia em relação ao projeto original.
Antes dele, foram incorporados à frota os submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42). A entrega do Almirante Karam ao setor operativo da Marinha está prevista para o segundo semestre de 2027.
(G1).
