PCPR mira grupo suspeito de fraudes milionárias no transporte escolar de Santa Helena
Operação Conluio II deflagrada nesta quinta-feira (18) mira um esquema de cartelização, fraude a licitações e desvio de recursos públicos
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio do Núcleo de Cascavel da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Conluio II. A ofensiva mira um esquema de cartelização, fraude a licitações e desvio de recursos públicos em contratos de transporte escolar intra e intermunicipal no município de Santa Helena, no Oeste do Estado.
A operação conta com o apoio operacional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e mobiliza aproximadamente 120 agentes públicos de diversas unidades. Ao todo, estão sendo cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em residências dos envolvidos em vários pontos do município. O Poder Judiciário também autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e a realização de buscas pessoais contra empresários e agentes públicos.
O objetivo desta fase é apreender documentos, equipamentos eletrônicos e arquivos de mídia para subsidiar a continuidade das investigações e identificar outros possíveis integrantes do grupo criminoso.
As investigações que deram origem à Operação “Conluio II” começaram após denúncias de fraudes em certames licitatórios municipais. O suposto articulador do esquema já foi alvo da Operação Conluio I, deflagrada em 1º de agosto de 2024.
A partir do cruzamento de informações e provas emprestadas da primeira operação, os investigadores da DECCOR identificaram um novo arranjo criminoso entre empresários. O grupo agia em conluio para afastar concorrentes e manipular os valores dos Pregões Presenciais nº 22/2024 e 23/2024, eliminando a livre concorrência e provocando um prejuízo milionário aos cofres públicos. A Polícia Civil detalha que a organização criminosa era muito bem estruturada, além do uso sistemático de interpostas pessoas (laranjas) para ocultar os reais beneficiários dos contratos celebrados com a administração municipal.
Uma análise comparativa regional realizada pela PCPR constatou distorções econômicas graves, evidenciando como o cartel onerava excessivamente o erário de Santa Helena em relação aos municípios vizinhos:
• Preços Inflacionados: Enquanto o município vizinho de Marechal Cândido Rondon/PR pagava o valor de R$ 4,30 por quilômetro rodado para trajetos equivalentes, o cartel de Santa Helena conseguiu fixar contratos de até R$ 7,03 e R$ 9,99 por quilômetro. Em determinados lotes, o sobrepreço pago pelo município atingiu a marca de 132% acima do valor de mercado.
• Frota Antiga: Municípios como Cascavel e Marechal Cândido Rondon limitam a idade dos ônibus escolares entre 10 e 14 anos de uso. Em Santa Helena, o edital foi flexibilizado para aceitar veículos com até 24 anos de uso. A investigação apurou, inclusive, que um dos investigados ordenou a apresentação de questionamentos ao edital com o propósito específico de derrubar a exigência de vistorias do Detran na fase inicial, acobertando veículos com placas pendentes e sem condições mecânicas adequadas.
• Crescimento Explosivo de Custos: O cruzamento de dados revelou que o custo total do transporte escolar em Santa Helena saltou de R$ 3,8 milhões (em 2018) para R$ 10,4 milhões (em 2024). Trata-se de um aumento expressivo de 175% nos custos do serviço. Esse índice é infinitamente superior à inflação acumulada do período (IPCA de 38,80%) e ao aumento do próprio combustível (73%).
• Disputa de Fachada: A simulação de concorrência era tão evidente que o desconto global obtido somando-se todos os pregões de 2024 foi de meros 2,55%.
(AEDN).
